2017

Em parceria com pesquisadores da FGV e do GPOPAI/USP, o #VoteLGBT aplicou um questionário para conhecer o perfil social e político das/os participantes da Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais e da Parada do Orgulho LGBT, que aconteceram dias 17 (sábado) e 18 (domingo) de junho de 2017, em São Paulo. A partir de uma parceria com o coletivo Frente Autônoma LGBT, conseguimos levar a pesquisa para a Parada do Orgulho LGBT de Belo Horizonte, que aconteceu dia 16 de julho. Todo o processo foi construído por voluntárias/os. Foram mais de 1000 pessoas entrevistadas em SP e BH.

Depois do vídeo, um resumo dos nossos achados.

Paradas são festas políticas.

Em pesquisa com frequentadores das parada de SP e BH, 79,0% e 85,6%, respectivamente, afirmaram estar na manifestação por motivações políticas (defender direitos e apoiar a causa). Além disso, os eventos também são reconhecidos como espaços de celebração da diversidade, já que 57,7% em SP e 66,1% em BH foram às paradas para se divertir.

Paradas são de esquerda.

45,8% em SP e 43,0% em BH se disseram de centro esquerda ou esquerda. Na caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais de SP o número é ainda maior, 82,7%.

Paradas são mais negras

As Paradas de SP e BH são mais negras do que a população dessas cidades. A Parada paulistana é 16,7% mais negra do que a população paulista. 40,4% das entrevistadas na Parada disseram-se pretas, pardas ou negras, enquanto apenas 34,6% identificaram-se como pardas e pretas no Censo de 2010. Já a Parada belorizontina é 6,9% mais negra do que a população mineira. 57,2% disseram-se pretos, negros ou pardos na Parada, enquanto 53,5% identificaram-se como pretos ou pardos no Censo de 2010.

Paradas são cristãs

Ao contrário do que estabelece o senso comum, de que ser cristão e LGBT seria uma incompatibilidade, 40,2% dos participantes das paradas de SP e 47,5% em BH declararam possuir alguma religião cristã (entre católicos, evangélicos e kardecistas).

Jesus cura a homofobia

Em SP 1,2% dos frequentadores da parada disseram ter ido por motivos religiosos. Isso quer dizer que, em São Paulo, aproximadamente 30 mil pessoas estiveram pregando a palavra de um Deus mais inclusivo durante o evento. Em BH 2,8% dos frequentadores estavam na parada pelo mesmo motivo.

LGBTs e os direitos humanos

Enquanto as pautas LGBTs gozam de unanimidade de aprovação nessas manifestações, o mesmo não acontece com outras pautas de direitos humanos. Apesar de mais populares nesse grupo que na população do Brasil, questões como aborto e cotas raciais encontram maior resistência. A redução da maioridade penal é aprovada por 45,3% em SP e 49,1% em BH.

Útero Laico

Há uma enorme correlação entre religião e aceitação do aborto. Entre ateus e agnósticos, 85,7% e 81,7% nas paradas de SP e BH concordam com a legalização do aborto. Entre os cristãos (católicos, evangélicos e kardecistas), a aceitação é muito menor: 50,0% e 55,5%, respectivamente.

A rejeição à legalização do aborto é a mesma nas Paradas tanto entre os homens quanto entre as mulheres entrevistadas.

Na Caminhada das Lésbicas e Bissexuais de SP, fortemente organizada por movimentos feministas, há grande concordância com a legalização do aborto: 93,7%.

Não me representa
É unânime: 79,3% dos frequentadores da parada de SP e 73,4% da parada de BH acham que os políticos não representam os interesses da população LGBT.

Mas vou votar

82,5% em SP e 91,7% em BH concordam que com certeza vão votar em quem defende direitos LGBT.

PSDB em baixa

Os possíveis candidatos do PSDB para as próximas eleições presidenciais estão em baixa entre os entrevistados. Em SP, Doria com 8,5% das intenções de voto e Alckmin com 1,4%, estando a frente apenas de Bolsonaro, com 0,9%. Em BH a rejeição se confirma: Doria aparece com 3,1% das intenções de voto e Alckmin com apenas 0,2%, sendo o último colocado entre as opções disponíveis.

LGBT contra Temer: Apoio a Diretas Já e oposição à reforma trabalhista

Na capital paulista, 91,1% das pessoas entrevistadas na Parada defenderam que o presidente Michel Temer perca o mandato e que seu substituto seja eleito pelo povo. Em BH esse número sobe para 94,1%. Em ambas as cidades, mais de 85% são contra a reforma trabalhista conforme proposta por Temer.

Lula lá?

Lula aparece com 33,7%, 27,4% e 32,9% das intenções de voto na caminhada das mulheres lésbicas e bissexuais de SP e nas paradas de SP e BH, respectivamente, seguido por Luciana Genro, que aparece com aproximadamente 24,7% na caminhada, 15,1% na parada de SP e 12,7% em BH.